As memórias mais remotas da minha entrada no mundo dos livros eram a de um aniversário, creio que dos meus dez anos, em que fui presenteada com vários livros: "Alice no País das Maravilhas", "Alice no País dos Espelhos", "Ben Hur", "A casa na Floresta" de uma autora americana chamada Laura E. Wilder e outros.
Confesso que fiquei um tanto decepcionada, mas resolvi "consumir" meus presentes: lí-os todos.
Mas, durante a nossa última aula com a Antonia, lembrei de contatos anteriores com a leitura.Houve a coleção Mundo da Criança e uma outra cujo nome não lembro, mas que comprei , para surpreza de minha mãe, de um vendedor de livros de rua.
Voltando a meus dez anos, sei que a partir de então li todos os livros que me caiam em mãos. Em qualquer momento livre punha-me a ler, até durante as refeições. Li os que estavam nas estantes de minha casa, os que trocava com uma amiga que morava perto e naturalmente os que a escola indicava.
Aliás, estes foram poucos. E, na minha escola, tradicional e conhecido colégio, havia uma belíssima biblioteca com estantes envidraçadas e de madeira nobre que iam até o teto que eu descobri por acaso, pois nunca algum dos professores, de nenhuma das áreas de ensino, jamais a mencionara ou nos fizera visitar.
Sorte a minha ter a iniciativa e o interesse em descobrir o que os livros nos trazem. Certamente, muitas outras crianças e jovens se benificiariam com estas visitas e outros projetos escolares que envolvessem a leitura.
Continuo lendo literatura com frequência, não tanto como antes. Outros gêneros passaram a desafiar meus interesses.
E, na escola em que trabalho, procuro despertar nos meus alunos aquele prazer que ainda tenho na leitura e oferecer a eles a oportunidade de percorrer o universo de conhecimentos que os livros trazem.