Neste capítulo os autores procuram explicar como o desenvolvimento mental da criança se dá e que fatores contribuem para isto.
Segundo eles, o desenvolvimento mental surge como sucessão de três grandes construções. A primeira se dá pela construção dos esquemas sensórios-motores que se organizam a partir das estruturas orgânicas. Pela segunda construção estabelecem-se as relações semióticas através das quais os esquemas de ação se interiorizam e são reconstruídos num plano de representação, dando origem ao conjunto de operações concretas e estruturas de cooperação. Estas últimas serão reestruturadas e conduzirão ao pensamento formal do adolescente e do adulto.
Como estas construções são sucessivas e se estabelecem num processo em que cada uma prolonga a anterior reorganizando-as num novo plano mais amplo, é possível definir grandes períodos ou estádios do desenvolvimento mental: Cada indivíduo passará por estas etapas numa ordem de sucessão que é sempre a mesma, independentemente do tempo que levará para isto. Cada um destes estádios se caracteriza por uma estrutura de conjunto, em função da qual se explicam as principais reações particulares, e esta estrutura se integrará à precedente na qualidade de subordinada, preparando a seguinte para depois também a ela se integrar.
Quanto ao mecanismo que promoverá a evolução mental os autores vão considerar quatro fatores, embora apontem para o fato de que estas explicações ainda sejam insatisfatórias.
O primeiro fator é o crescimento orgânico, e especialmente a maturação do complexo formado pelo sistema nervoso e pelos sistemas endócrinos.Mas se por um lado tal fator é condição necessária para o aparecimento de certas condutas, por abrir a possibilidade para que ocorram, estas precisam se realizar e isto será decorrência de exercício funcional e de certo grau de experiência que as influências do meio físico ou social vão ou não favorecer. Assim a maturação orgânica é fator necessário do desenvolvimento mental , porém não suficiente para promovê-lo.
O segundo fator fundamental é o papel do exercício e da experiência adquirida na ação efetuada sobre os objetos. São discutidas neste momento, dois tipos de experiência: a experiência física, que consiste em agir sobre os objetos para deles abstrair as propriedades e a experiência lógico- matemática que se apresenta como atuação sobre os objetos,mas para conhecer o resultado da coordenação de ações. Segundo os autores a experiência física constitui uma estruturação ativa que é assimilada a quadros lógico-matemáticos, e isto mais uma vez reafirma que a elaboração destes precedem o conhecimento físico.
As interações e transmissões sociais são o terceiro fator para promoção do desenvolvimento mental, porém, como os fatores anteriores, não é suficiente por si só , pois a socialização depende da existência de instrumentos operatórios adequados.
Como quarto e último fator considera-se a tendência a uma equilibração interna por auto- regulação como o mecanismo promotor da evolução mental. Em resposta às perturbações exteriores e de regulagem retroativa e antecipadora, no sujeito se constitui uma seqüência de compensações para obtenção de um novo estado de equilíbrio o que o levará a uma construção mais evoluída.
Outro aspecto a ser contemplado é o desenvolvimento da afetividade e da motivação. A afetividade constitui a energia que promove as condutas, cujo aspecto cognitivo são as estruturas, porém destas dependem os estados emocionais de acordo com as percepções e compreensão que o sujeito pode cognitivamente obter. Neste sentido, a conduta se dá pela atuação conjunta dos aspectos afetivo e cognitivo. Há que se observar também, que se por um lado os sentimentos comportam raízes hereditárias e sujeitas a maturação, que se transformam através da experiência social, também se desenvolvem pela ação do mecanismo de auto-regulação.
Portanto, é a tendência a equilibração por auto-regulação que dá conta de conciliar as contribuições da maturação, da experiência dos objetos e da experiência social. A auto-regulação também conduz a reversibilidade, ou seja, um sistema completo de compensações, tais que a cada transformação corresponde à possibilidade de uma ação inversa ou recíproca.
Finalizando, é a equilibração por auto-regulação que constitui o processo formador das estruturas mentais e sua evolução.
Tendo em vista o que foi explanado neste capítulo, posso concluir que este mecanismo de procura do equilíbrio pela auto-regulação é algo inato no ser humano, da mesma forma que é aspecto intrínseco da natureza? E se é algo com que o homem nasce, pode variar em sua “intensidade” como acontece com os instintos de vida e morte postulados por Freud, acarretando variações individuais de desenvolvimento?
INHELDER, Bärbel, PIAGET, Jean. A psicologia da criança. São Paulo:Difel Editorial,1985
Segundo eles, o desenvolvimento mental surge como sucessão de três grandes construções. A primeira se dá pela construção dos esquemas sensórios-motores que se organizam a partir das estruturas orgânicas. Pela segunda construção estabelecem-se as relações semióticas através das quais os esquemas de ação se interiorizam e são reconstruídos num plano de representação, dando origem ao conjunto de operações concretas e estruturas de cooperação. Estas últimas serão reestruturadas e conduzirão ao pensamento formal do adolescente e do adulto.
Como estas construções são sucessivas e se estabelecem num processo em que cada uma prolonga a anterior reorganizando-as num novo plano mais amplo, é possível definir grandes períodos ou estádios do desenvolvimento mental: Cada indivíduo passará por estas etapas numa ordem de sucessão que é sempre a mesma, independentemente do tempo que levará para isto. Cada um destes estádios se caracteriza por uma estrutura de conjunto, em função da qual se explicam as principais reações particulares, e esta estrutura se integrará à precedente na qualidade de subordinada, preparando a seguinte para depois também a ela se integrar.
Quanto ao mecanismo que promoverá a evolução mental os autores vão considerar quatro fatores, embora apontem para o fato de que estas explicações ainda sejam insatisfatórias.
O primeiro fator é o crescimento orgânico, e especialmente a maturação do complexo formado pelo sistema nervoso e pelos sistemas endócrinos.Mas se por um lado tal fator é condição necessária para o aparecimento de certas condutas, por abrir a possibilidade para que ocorram, estas precisam se realizar e isto será decorrência de exercício funcional e de certo grau de experiência que as influências do meio físico ou social vão ou não favorecer. Assim a maturação orgânica é fator necessário do desenvolvimento mental , porém não suficiente para promovê-lo.
O segundo fator fundamental é o papel do exercício e da experiência adquirida na ação efetuada sobre os objetos. São discutidas neste momento, dois tipos de experiência: a experiência física, que consiste em agir sobre os objetos para deles abstrair as propriedades e a experiência lógico- matemática que se apresenta como atuação sobre os objetos,mas para conhecer o resultado da coordenação de ações. Segundo os autores a experiência física constitui uma estruturação ativa que é assimilada a quadros lógico-matemáticos, e isto mais uma vez reafirma que a elaboração destes precedem o conhecimento físico.
As interações e transmissões sociais são o terceiro fator para promoção do desenvolvimento mental, porém, como os fatores anteriores, não é suficiente por si só , pois a socialização depende da existência de instrumentos operatórios adequados.
Como quarto e último fator considera-se a tendência a uma equilibração interna por auto- regulação como o mecanismo promotor da evolução mental. Em resposta às perturbações exteriores e de regulagem retroativa e antecipadora, no sujeito se constitui uma seqüência de compensações para obtenção de um novo estado de equilíbrio o que o levará a uma construção mais evoluída.
Outro aspecto a ser contemplado é o desenvolvimento da afetividade e da motivação. A afetividade constitui a energia que promove as condutas, cujo aspecto cognitivo são as estruturas, porém destas dependem os estados emocionais de acordo com as percepções e compreensão que o sujeito pode cognitivamente obter. Neste sentido, a conduta se dá pela atuação conjunta dos aspectos afetivo e cognitivo. Há que se observar também, que se por um lado os sentimentos comportam raízes hereditárias e sujeitas a maturação, que se transformam através da experiência social, também se desenvolvem pela ação do mecanismo de auto-regulação.
Portanto, é a tendência a equilibração por auto-regulação que dá conta de conciliar as contribuições da maturação, da experiência dos objetos e da experiência social. A auto-regulação também conduz a reversibilidade, ou seja, um sistema completo de compensações, tais que a cada transformação corresponde à possibilidade de uma ação inversa ou recíproca.
Finalizando, é a equilibração por auto-regulação que constitui o processo formador das estruturas mentais e sua evolução.
Tendo em vista o que foi explanado neste capítulo, posso concluir que este mecanismo de procura do equilíbrio pela auto-regulação é algo inato no ser humano, da mesma forma que é aspecto intrínseco da natureza? E se é algo com que o homem nasce, pode variar em sua “intensidade” como acontece com os instintos de vida e morte postulados por Freud, acarretando variações individuais de desenvolvimento?
INHELDER, Bärbel, PIAGET, Jean. A psicologia da criança. São Paulo:Difel Editorial,1985