quarta-feira, 27 de maio de 2009

Os fatores do desenvolvimento mental

Neste capítulo os autores procuram explicar como o desenvolvimento mental da criança se dá e que fatores contribuem para isto.
Segundo eles, o desenvolvimento mental surge como sucessão de três grandes construções. A primeira se dá pela construção dos esquemas sensórios-motores que se organizam a partir das estruturas orgânicas. Pela segunda construção estabelecem-se as relações semióticas através das quais os esquemas de ação se interiorizam e são reconstruídos num plano de representação, dando origem ao conjunto de operações concretas e estruturas de cooperação. Estas últimas serão reestruturadas e conduzirão ao pensamento formal do adolescente e do adulto.
Como estas construções são sucessivas e se estabelecem num processo em que cada uma prolonga a anterior reorganizando-as num novo plano mais amplo, é possível definir grandes períodos ou estádios do desenvolvimento mental: Cada indivíduo passará por estas etapas numa ordem de sucessão que é sempre a mesma, independentemente do tempo que levará para isto. Cada um destes estádios se caracteriza por uma estrutura de conjunto, em função da qual se explicam as principais reações particulares, e esta estrutura se integrará à precedente na qualidade de subordinada, preparando a seguinte para depois também a ela se integrar.
Quanto ao mecanismo que promoverá a evolução mental os autores vão considerar quatro fatores, embora apontem para o fato de que estas explicações ainda sejam insatisfatórias.
O primeiro fator é o crescimento orgânico, e especialmente a maturação do complexo formado pelo sistema nervoso e pelos sistemas endócrinos.Mas se por um lado tal fator é condição necessária para o aparecimento de certas condutas, por abrir a possibilidade para que ocorram, estas precisam se realizar e isto será decorrência de exercício funcional e de certo grau de experiência que as influências do meio físico ou social vão ou não favorecer. Assim a maturação orgânica é fator necessário do desenvolvimento mental , porém não suficiente para promovê-lo.
O segundo fator fundamental é o papel do exercício e da experiência adquirida na ação efetuada sobre os objetos. São discutidas neste momento, dois tipos de experiência: a experiência física, que consiste em agir sobre os objetos para deles abstrair as propriedades e a experiência lógico- matemática que se apresenta como atuação sobre os objetos,mas para conhecer o resultado da coordenação de ações. Segundo os autores a experiência física constitui uma estruturação ativa que é assimilada a quadros lógico-matemáticos, e isto mais uma vez reafirma que a elaboração destes precedem o conhecimento físico.
As interações e transmissões sociais são o terceiro fator para promoção do desenvolvimento mental, porém, como os fatores anteriores, não é suficiente por si só , pois a socialização depende da existência de instrumentos operatórios adequados.
Como quarto e último fator considera-se a tendência a uma equilibração interna por auto- regulação como o mecanismo promotor da evolução mental. Em resposta às perturbações exteriores e de regulagem retroativa e antecipadora, no sujeito se constitui uma seqüência de compensações para obtenção de um novo estado de equilíbrio o que o levará a uma construção mais evoluída.
Outro aspecto a ser contemplado é o desenvolvimento da afetividade e da motivação. A afetividade constitui a energia que promove as condutas, cujo aspecto cognitivo são as estruturas, porém destas dependem os estados emocionais de acordo com as percepções e compreensão que o sujeito pode cognitivamente obter. Neste sentido, a conduta se dá pela atuação conjunta dos aspectos afetivo e cognitivo. Há que se observar também, que se por um lado os sentimentos comportam raízes hereditárias e sujeitas a maturação, que se transformam através da experiência social, também se desenvolvem pela ação do mecanismo de auto-regulação.
Portanto, é a tendência a equilibração por auto-regulação que dá conta de conciliar as contribuições da maturação, da experiência dos objetos e da experiência social. A auto-regulação também conduz a reversibilidade, ou seja, um sistema completo de compensações, tais que a cada transformação corresponde à possibilidade de uma ação inversa ou recíproca.
Finalizando, é a equilibração por auto-regulação que constitui o processo formador das estruturas mentais e sua evolução.
Tendo em vista o que foi explanado neste capítulo, posso concluir que este mecanismo de procura do equilíbrio pela auto-regulação é algo inato no ser humano, da mesma forma que é aspecto intrínseco da natureza? E se é algo com que o homem nasce, pode variar em sua “intensidade” como acontece com os instintos de vida e morte postulados por Freud, acarretando variações individuais de desenvolvimento?

INHELDER, Bärbel, PIAGET, Jean. A psicologia da criança. São Paulo:Difel Editorial,1985

domingo, 17 de maio de 2009

Comentário sobre o capítulo Autor e autoria de Carlos Faraco

Bakhtin faz uma distinção entre o autor-pessoa, aquele que escreve, que cria, e o autor – criador.
Considera que o autor-criador da obra é quem determina a ótica através da qual se projetará no texto, e é quem faz um retrato e valoriza os aspectos que mostrará do herói e de seu mundo. Escolhe a linguagem e a composição que materializará sua seleção, dando a ela um acabamento estético. Por isso é considerado como constituinte do objeto estético e quem sustenta a unidade do todo consumado.
Para que haja uma autêntica criação estética é necessário que o autor-criador fale através de uma linguagem que provenha do conjunto múltiplo e heterogêneo das vozes ou línguas sociais da cultura humana. Para conseguir isto o autor deve deslocar-se de sua própria linguagem, se colocar numa posição exterior ao texto.
Na autobiografia também ocorre este deslocamento, pois o autor faz um recorte de sua vida ao valorizar tal ou qual aspecto que irá registrar, escolhendo uma maneira esteticamente importante para isto.
Diferentemente de Roland Barthes, Bakhtin considera o autor como um ente independente do texto.Através de seu conceito de autor-criador leva em conta o processo consciente ou não de escolhas que este faz ao escrever uma obra.

Sobre a Explicação do Jogo de Jean Piaget

Neste texto Piaget examina os principais critérios utilizados para distinguir o jogo das atividades não lúdicas, as que envolvem o pensamento “sério”.
O Jogo se dissociaria deste tipo de atividade por encontrar sua finalidade em si mesmo, por ser espontâneo e visar o prazer imediato, carecer de organização e por ignorar os conflitos.
No decorrer da explanação porém, são colocados aspectos do jogo que mostram que estas generalizações podem sofrer certas restrições, como por exemplo, o fato de que ao jogar a criança se preocupa com o resultado de sua atividade e passa a repeti-la quando quer obter o mesmo efeito. À espontaneidade do jogo acrescenta o aspecto de não ser controlado socialmente, por isto espontâneo, e que através do jogo simbólico a criança pode elaborar situações dolorosas e conflitantes e assim torná-las suportáveis.
Em todos estes processos prevalece a assimilação do real aos esquemas já existentes, e a diferença entre o jogo e a atividade não lúdica se dá pela orientação que uma atividade tomará entre estas duas finalidades.

“Em suma verificamos assim que todos os critérios propostos para definir o jogo em relaçâo à atividade não lúdica terminam , não por
dissociar nitidamente o primeiro da segunda, mas por ressaltar simplesmente a existência de uma orientação cujo caráter mais ou
menos acentuado corresponde à tonalidade mais ou menos lúdica da ação.” (Piaget,1990, p.192)


PIAGET.Jean. A formação do símbolo na criança,Rio de Janeiro:LTC,1990, 3ª edição

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Comentário sobre A morte do autor de Roland Barthes


Segundo as idéias de Barthes, o autor de um escrito perde sua importância, se desvincula do texto, no momento em que o conclui e aquele passa a ter uma existência própria, independente de quem o criou. Enquanto linguagem o texto é autosuficiente e passível de ser interpretado através de instrumentos linguísticos que dispensam considerar a biografia do sujeito que o escreveu. “...a escritura é a destruição de toda voz, de toda a origem.”
Considera que no texto se reúnem “... escrituras múltiplas, oriundas de várias culturas e que entram umas com as outras em diálogo, em paródia, em contestação”, ou seja , não é a expressão única de um sujeito, embora o texto apresente uma forma particular de manifestar este conjunto.
Neste sentido, num texto não há única interpretação, um segredo a ser decifrado , mas nele tudo pode ser deslindado, investigado, e a multiplicidade de sentidos do texto quem as reúne é o leitor, “...o leitor é o espaço mesmo onde se inscrevem, sem que nenhuma se perca, todas as citações de que é feita uma escritura”. É o leitor que dá a unidade do texto, mas este leitor não é um sujeito singular com uma determinada história e subjetividade, “ele é apenas esse alguém que mantém reunidos em um mesmo campo todos os traços de que é constituído o escrito”.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Citando Piaget

Na fase de imitação esporádica os esquemas reflexos, que se caracterizavam pela repetição reflexa de ações causadas apenas pela excitação exterior, passam a assimilar alguns desses elementos, sendo que o sujeito deverá acomodar seus esquemas a estes novos elementos. Em uma nova situação de exposição a este estímulo a imitação da ação poderá se dar.

“ Ora, é na exata medida em que os esquemas incorporam elementos novos que a acomodação a esses elementos é suscetível de prolongar-se em imitação, desde que os modelos propostos lhes se sejam idênticos...” (Piaget, 1990, p.22)



PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança, Rio de Janeiro:LTC, 1990, 3ª edição