segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Comentando a posição de José Carlos de Azeredo

“Por ora, o caminho que resta ao professor é estar sensível às limitações do modelo tradicional herdado da análise das línguas clássicas. Em nível universitário, a tarefa central do professor é investigar esse modelo em sua natureza e limitações; no 2o grau simplesmente chamar a atenção para essas limitações; no 1o grau apresentar, sem envolvimento crítico, o modelo, evitando, porém, certas definições viciosas que, exclusivamente baseadas no significado, têm pouca abrangências.”

A posição do autor com relação ao período em que se deveria introduzir para o aluno o conhecimento da categorização clássica das palavras, me fez pensar se o maior problema do ensino de categorias de palavras não é decorrência mais da metodologia tradicional utilizada para isto, do que o lidar com a variabilidade de papeis que uma palavra tem na língua em uso.Esta última variável, me parece ser a dificuldade para o ensino que o autor considera, quando propõe que o aluno entre em contato com este aspecto apenas no Ensino Médio.
Em geral, as categorias são apresentadas através de uma definição fechada a partir da qual o aluno deve então classificar as palavras de uma frase ou textos, com pouquíssima atenção para a função que esta tem em relação ao todo e na produção de sentidos .
Creio que numa outra abordagem, em que as categorias fossem sendo construídas gradualmente a partir da observação de algumas regularidades entre as palavras que podem dar conta de aspectos como a forma e/ou distribuição e/ou do ponto semântico e de sua função nos textos (NEVES, M.H. de Moura em “Como as palavras se organizam em classes”) com que entrar em contato os alunos poderiam lidar com a realidade, nem sempre previsível a priori, do emprego das palavras e ir se aproximando de níveis mais abrangentes de conceituação destas categorias.
Pela minha experiência, os alunos a partir do 4º ano conseguem lidar com mais de uma variável de um determinado elemento simultaneamente, e levar isto em conta para classificar e reclassificar os objetos a sua volta quando apresentados através de atividades adequadamente elaboradas para eles.
Não é tarefa simples, e nem se daria como encerrada em algum ponto do seu percurso, como às vezes nós professores consideramos quando trabalhamos do modo mais tradicional uma das categorias para passar para outra, uma vez que a aprendizagem se daria num processo continuo e progressivo. Cabe a nós lidarmos com a nossa ansiedade e acreditarmos na capacidade de nossos alunos para enfrentar estes desafios.